Sunday, November 19, 2006

Jacinto

UM GRITO DE PROTESTO

Meu primo, J.J. Flores sofreu, recentemente, um acidente que o levou ao hospital, devido à seriedade do ocorrido. E então começou um sofrimento atroz resultado do descaso das autoridades de saúde do Rio de Janeiro e ao abandono em que se encontram os hospitais do município. Deixamos o meu primo contar o acontecido.
“ Na madrugada de sexta-feira 27 de Outubro, lá pelas 02:30, tomei um tombo sério ao sair da cama. Caí sobre o meu lado direito, batendo com a cabeça e tronco no assoalho de madeira do quarto. O meu primeiro pensamento foi que teria quebrado a cabeça. Logo verifiquei que não havia sangue, portanto, apesar da dor de cabeça, nada mais sério teria acontecido. Porém, ao tentar levantar-me uma dor fortíssima no quadril e perna direita me acometeu, que me deixou estatelado no chão. Minha mulher chamou a ambulância do Corpo dos Bombeiros para me levar imediatamente ao Hospital Municipal Miguel Couto., hospital que tinha tradição de ser um dos melhores no setor ortopédico e era hospital de referência. A ambulância não demorou mais do que 15 minutos a chegar (parabéns ao Corpo de Bombeiros). Após alguns problemas na passagem da maca do apartamento até á ambulância lá fomos para o Miguel Couto. Fui colocado numa maca dura e levado logo para tirar Rios Xs, que confirmaram fratura no colo do fêmur. Em seguida, na mesma maca fui deixado num corredor, com vários outros pacientes. Um médico se aproximou, não para receitar qualquer medicamento, mas para me dizer-me que teria que submeter-me a uma cirurgia. Não soube dizer-me quando isso aconteceria . Passadas 4 horas naquela máquina dura, eu não mais sabia quais as dores mais fortes, se nas costas, se na perna. Nenhum medicamento me foi dado. Apesar de muita sede que eu sentia, proibiram-me de beber água. Porquê nunca soube. . Finalmente uma enfermeira veio anunciar que havia um leito vago na enfermaria 14 e eu seria levado para lá. Pensei que, enfim, terei algum conforto e algum médico viria tirar a minha pressão arterial, etc. e medicar-me convenientemente. Nada disso aconteceu. Pelo contrário. Verifiquei que o leito não tinha lençóis, nem travesseiros, nem cobertores, em suma nada. Consultando alguns pacientes em outros leitos, fomos informados que o hospital não tinha roupa de cama, toalhas, nem papel higiênico , nem sabonetes Água para beber, continuava ser impedida para mim. A razão não vim a saber. Cheguei à conclusão que o hospital não tinha mesmo água potável para os doentes. Minha esposa correu a casa para pegar aquilo que o hospital não tinha. Quando voltou, uns 45 minutos depois, fez o meu leito e, pelo menos fiquei muito mais confortável. Nas conversas que ela teve com outros pacientes verificamos que muitos ali estavam há muitos dias à espera de vagas para as cirurgias ortopédicas. Um paciente deitado no leito ao meu lado, estava ali há 21 dias na lista para um implante de prótese no joelho.
Consultamos a única enfermeira responsável por essa enfermaria, quando seria possível agendar a minha cirurgia. Respondeu com um sorriso maroto: -- “Possivelmente daqui a três ou quatro semanas”
Foi a última gota de água. Disse logo para minha esposa “Se vc.quiser ficar viúva rapidamente, é só deixar-me aui mais uns dias. Caso contrário, arranja logo a minha mudança para um hospital particular”
Graças a uma pessoa amiga soubemos que um bom médico ortopedista tinha consultório e operava na Casa de Saúde Santa Maria. Minha esposa consultou-o pelo telefone e logo ele mandou-me ir para aquela Casa de Saúde o mais rápido possível. Contratou-se uma ambulância particular, que dentro de 50 minutos me “depositou” no novo hospital. O atendimento foi imediato, Mais Raios Xs, medida de pressão, antibióticos, analgésicos – enfim tudo que tinha de ser feito de imediato. Logo após fui transferido para um quarto particular, com TV, banheiro, sofá-cama para a minha acompanhante. Enfermeiras sempre disponíveis e o médico que me visitava pelo menos duas vezes por dia. Dois dias depois fui operado e após 48 horas vim para casa”.

Se visitarem o “site” Hospital Municipal Miguel Couto” poderão ler que “o hospital conquistou ao longo dos anos, pelo trabalho dos seus profissionais, particularmente na emergência, respeito e admiração da opinião pública”. Nada mais inverídico. Ainda na semana passada em uma reportagem feita pela rede Globo de Televisão, dava a esse hospital, como o pior da rede municipal. Faltam-lhe médicos, enfermeiras, e, principalmente, medicamentos e outras provisões e aparelhos hospitalares.”

Seria ótimo se os leitores deste blog comentassem e dessem suas opiniões, as quais eu faria questão de repassar para as autoridades municipais competentes, como a afronta da população carioca sobre os serviços de saúde deste município.