Sunday, May 11, 2008
Saturday, May 10, 2008
Rio de Janeiro, 2002
Era domingo e chovia
Uma chuva miudinha
E fria
Que nada tinha
De tropical
No telhado da casa vizinha
Um solitário pardal,
Macho me parecia,
Guardava o ninho
Onde piavam os pequeninos
Sôfregos de fome.
Tardava a companheira
O passarinho
Esperava paciente.
A chuva persistia,
Declinava o dia,
E na luz derradeira
O pardal chiava
Um pio triste e comovente.
E então o pardalzinho
Levantou vôo na noite escura.
Teria abandonado o ninho,
Ou teria ido á procura
De sua companheira?
Não sei, não mais o vi.
E a cena a que assisti,
Deixou-me, a noite inteira
Na tristeza e melancolia.
Era domingo e chovia!
Era domingo e chovia
Uma chuva miudinha
E fria
Que nada tinha
De tropical
No telhado da casa vizinha
Um solitário pardal,
Macho me parecia,
Guardava o ninho
Onde piavam os pequeninos
Sôfregos de fome.
Tardava a companheira
O passarinho
Esperava paciente.
A chuva persistia,
Declinava o dia,
E na luz derradeira
O pardal chiava
Um pio triste e comovente.
E então o pardalzinho
Levantou vôo na noite escura.
Teria abandonado o ninho,
Ou teria ido á procura
De sua companheira?
Não sei, não mais o vi.
E a cena a que assisti,
Deixou-me, a noite inteira
Na tristeza e melancolia.
Era domingo e chovia!
1.
Instantes de ternura
Grãos de ouro na levada do rio;
Anos de tortura.
Pensamentos vagos;
Estrela cadente,
Voando do poente ao ocidente
Linha de luz, que de repente,
Extingue-se no céu!
E eu ... fico contigo
Amante ou amigo
Não sei!
2.
Escrevo por linhas tortas
Palavras incertas
Incoerentes
Que se avolumam na mente
E esvoaçam no tempo.
Não há hora em Kisangani.
Meandro pelo deserto
E ao certo...
Não sei donde vou!
O relógio parou!
A garota me chamou
E eu corri ao seu encontro
Mas quando cheguei perto
Miragem
se tornou!
3.
O tempo passa por mim...
Não, eu passo pelo tempo!
Caminho numa estrada de terra batida
Esburacada
Empoeirada,
E recordo a minha vida
Atribulada.
Antigamente esta via
Era florida,
Arborizada;
Agora ... só cactos secos.
A minha voz ecoa, vazia
Angustiada:
Que horas são?
Que horas são?
Não posso chegar tarde!
O tempo passa por mim ...
Não, eu passo pelo tempo.
Mas como chegar lá?
Como chegar lá?
Não tenho condução,
Nem bússola para me orientar.
Só posso caminhar,
Sedento, cansado.
Não posso chegar tarde.
Seja qual for o meu destino
Não mais atino
Com o porquê da minha caminhada.
4.
Na minha mente
Havia uma imagem
De mulher meiga e inteligente
De amor carente,
De beijos sedenta....
Beijos que não dei,
Amor que não realizei!
A imagem ficou confusa,
Um caleidoscópio de cores!
É tarde para reviver o prazer que senti,
É tarde para viver o que vivi!
É tarde agora!
A imagem é estranha
Envolta em neblina
É hora, é hora
De sair de surdina!
5.-
Levo uma braçada de lírios
E dois longos círios
Para o altar do nosso amor.
Comungamos os nossos desejos
E com ardentes e longos beijos,
Juramos votos eternos de paixão.
Comemos o duro pão
Da nossa perdição,
Bebemos o vinho amargoso
Do nosso pecado e gozo.
No ritual da nossa união,
No sacrário do nosso amor
Faltou-nos a sacra benção
E restou-nos somente a dor
Da ausência e da saudade!
Fui eu o desertor!
E tu ficaste recolhida
Na cela escura da tua vida!
Falta-te o meu carinho!
Mas, olha, estou sozinho
E a saudade me acompanha!
A vontade de te abraçar,
De te beijar
É constante e tamanha
Que não dá para suportar!
Mea culpa, Mea culpa.
Instantes de ternura
Grãos de ouro na levada do rio;
Anos de tortura.
Pensamentos vagos;
Estrela cadente,
Voando do poente ao ocidente
Linha de luz, que de repente,
Extingue-se no céu!
E eu ... fico contigo
Amante ou amigo
Não sei!
2.
Escrevo por linhas tortas
Palavras incertas
Incoerentes
Que se avolumam na mente
E esvoaçam no tempo.
Não há hora em Kisangani.
Meandro pelo deserto
E ao certo...
Não sei donde vou!
O relógio parou!
A garota me chamou
E eu corri ao seu encontro
Mas quando cheguei perto
Miragem
se tornou!
3.
O tempo passa por mim...
Não, eu passo pelo tempo!
Caminho numa estrada de terra batida
Esburacada
Empoeirada,
E recordo a minha vida
Atribulada.
Antigamente esta via
Era florida,
Arborizada;
Agora ... só cactos secos.
A minha voz ecoa, vazia
Angustiada:
Que horas são?
Que horas são?
Não posso chegar tarde!
O tempo passa por mim ...
Não, eu passo pelo tempo.
Mas como chegar lá?
Como chegar lá?
Não tenho condução,
Nem bússola para me orientar.
Só posso caminhar,
Sedento, cansado.
Não posso chegar tarde.
Seja qual for o meu destino
Não mais atino
Com o porquê da minha caminhada.
4.
Na minha mente
Havia uma imagem
De mulher meiga e inteligente
De amor carente,
De beijos sedenta....
Beijos que não dei,
Amor que não realizei!
A imagem ficou confusa,
Um caleidoscópio de cores!
É tarde para reviver o prazer que senti,
É tarde para viver o que vivi!
É tarde agora!
A imagem é estranha
Envolta em neblina
É hora, é hora
De sair de surdina!
5.-
Levo uma braçada de lírios
E dois longos círios
Para o altar do nosso amor.
Comungamos os nossos desejos
E com ardentes e longos beijos,
Juramos votos eternos de paixão.
Comemos o duro pão
Da nossa perdição,
Bebemos o vinho amargoso
Do nosso pecado e gozo.
No ritual da nossa união,
No sacrário do nosso amor
Faltou-nos a sacra benção
E restou-nos somente a dor
Da ausência e da saudade!
Fui eu o desertor!
E tu ficaste recolhida
Na cela escura da tua vida!
Falta-te o meu carinho!
Mas, olha, estou sozinho
E a saudade me acompanha!
A vontade de te abraçar,
De te beijar
É constante e tamanha
Que não dá para suportar!
Mea culpa, Mea culpa.
SOBRE O AMOR
O escritor português Augusto da Costa (século XX) definiu assim o AMOR:
“O amor é labareda que arde diante de um espelho; dos dois amantes, um ama – e é a labareda; outro deixa-se amar – e é a chama refletida no espelho.”
Sem dúvida, quem melhor definiu o amor, na minha opinião, foi o grande poeta Luiz de Camões:
“Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que arde e não se sente;
É um contentamento descontente,
È dor que desatina sem doer”
Esta foi somente a primeira estrofe do seu célebre soneto.
O escritor português Augusto da Costa (século XX) definiu assim o AMOR:
“O amor é labareda que arde diante de um espelho; dos dois amantes, um ama – e é a labareda; outro deixa-se amar – e é a chama refletida no espelho.”
Sem dúvida, quem melhor definiu o amor, na minha opinião, foi o grande poeta Luiz de Camões:
“Amor é um fogo que arde sem se ver;
É ferida que arde e não se sente;
É um contentamento descontente,
È dor que desatina sem doer”
Esta foi somente a primeira estrofe do seu célebre soneto.
