Tuesday, October 10, 2006

Jacinto

O Velho Monge

Subia eu a Cordilheira da Trindade,
Quando uma medonha tempestade,
De forte chuva e trovoada
Me fez procurar abrigo
Em um convento antigo
Sito numa encosta escarpada,
Coberta de giestas e flores.

Entrei no claustro escuro,
De colunas de mármore imponentes;
Era sem dúvida um lugar seguro
E teria sido o lar de monges pecadores
Ou monges santos - não sei!

Em vão caminhei
Ao longo do claustro solitário,
Ninguém encontrei ...
As celas de portas escancaradas
Testemunhavam a história do convento
Agora abandonado.

Por um momento
Achei ter vislumbrado
Uma ténue luz no final.
Apressei o passo e na última cela
A porta entreaberta
Difundia a luz trémula
De uma única vela!

Um velho monge de hábito desbotado,
Cabelos longos em desalinho
Rezava baixinho.
Não o quiz perturbar.
Cerrei a porta de mansinho
E afastei-me na cerração da serrania.
A noite caía!

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