Wednesday, May 02, 2007


ANGÚSTIAS

Eu busco um amor perdido
Nos confins do meu sonhar;
Sei não tê-lo esquecido.
Mas não sei como o buscar.

Eu busco um amor vivido,
Nas névoas do meu passado;
Recordo que foi sofrido
E me deixou angustiado!

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Guardo a saudade escondida
No escaninho do coração.
Não quero reviver a vida,
Nem despertar nova paixão.

Na tristeza eu choro baixinho
P´lo que fui e já não sou.
Contas desfio de mansinho
Dum amor que me enlutou.

Sinto-me abandonado
À mercê de mil lembranças,
No mar revolto e agitado
De iludidas esperanças.

Sou fantasma de mim mesmo
Sem luz, vagueio no escuro,
Em círculos e a esmo,
Não diviso meu futuro.

Tuesday, May 01, 2007

FOLHAS EM BRANCO

Encerrei p´ra sempre o livro do passado.
Não quero mais memórias nem ilusões
E o rio da minha vida,
Já muito navegado,
Segue em veloz corrida,
Em espumantes vagalhões,
Rumo à foz, seu último destino.
Folheio,
Sem tino
Não leio
O livro do presente.
Afinal
Ele contém somente
Lágrimas e amarguras.
São folhas soltas
De ilusões e desventuras
De nebulosas lembranças,
Vazias de esperanças
Sem principio, nem final.

Não existe o livro do futuro;
Não foi cogitado,
Nem pressagiado,
Qual escrita de profeta,
Ou vidente de bola de cristal.

Nada mais há para escrever
Nada mais para ler,
Ou até para viver!

E assim o rio da minha vida,
Continua em veloz corrida
Rumo ao destino final.