Saturday, September 30, 2006

Jacinto

O MEU DUENDE

Dizem haver duendes na floresta,
Dizem - e eu acredito
Que um carrega numa cesta
O ouro do final do arco íris.

Ainda que fique o dito por não dito
Se tu, um duende vires,
Não te aproximes de mais,
Ele poderá pular no teu ombro
E sussurrar no teu ouvido
Sonhos irreais.

Eu carrego o meu duende,
E vê tu o meu assombro
Eu só escuto um gemido
De uma dor pungente
E nada mais!

Será que o meu duende
Já não intende
Que os sonhos imateriais
Se dissiparam
No ocaso da vida?

O meu duende chora
É inútil o seu sofrer.
Sua deusa Diana já demora
Para o vir socorrer.

O meu duende foi caçador
Na floresta encantada;
Ali perdeu o seu amor
Na magia de uma noite
Perfumada.

Thursday, September 28, 2006

Jacinto

È TARDE!

Na minha mente
Havia uma imagem
De mulher meiga e inteligente,
De amor carente,
De beijos sedenta...

Beijos que não dei,
Amor que não realizei!

A imagem ficou confusa,
Um caleidoscópio de cores!

É tarde para reviver o prazer que senti,
É tarde para viver o que vivi!
É tarde agora!

A imagem é estranha,
Envolta em neblina.
É hora, é hora
De sair de surdina!

Tuesday, September 26, 2006

Jacinto

SAUDADE

Levo uma braçada de lírios
E dois longos círios
Para o altar do nosso amor.
Comungamos os nossos desejos
E com ardentes e longos beijos,
Juramos votos eternos de paixão!

Comemos o duro pão
Da nossa perdição.
Bebemos o vinho amargoso
Do nosso pecado e gozo.

No ritual da nossa união,
No sacrário do nosso amor,
Faltou-nos a sacra benção
E restou-nos somente a dor
Da ausência e da saudade!

Fui eu o desertor!
E tu ficaste recolhida
Na cela escura da tua vida!

Falta-te o meu carinho!
Mas, olha, estou sòzinho
E a saudade me acompanha!

A vontade de te abraçar,
De te beijar,
É constante e tamanha
Que não dá para suportar!

Mea culpa, Mea culpa

Thursday, September 21, 2006

PORQUÊ?

O tempo passa por mim ...
Não, eu passo pelo tempo!

Caminho numa estrada de terra batida
Esboracada,
Empoeirada,
E recordo a minha vida,
Atribulada.

Antigamente esta via
Era florida,
Arvorizada,.
Agora ... só cactos secos

A minha voz ecoa .... vazia
Angustiada:
Que horas são?
Que horas são?
Não posso chegar tarde!

O tempo passa por mim...
Não, eu passo pelo tempo.

Mas como chegar lá?
Como chegar lá?

Não tenho condução,
Nem bússola para me orientar.
Só posso caminhar,
Sedento, cansado.

Não posso chegar tarde.

Seja qualquer for o meu destino
Não mais atino
Com o porquê da minha caminhada.